foram encontradas sozinhas em casa e à noite em São Paulo. Segundo o Conselho
Tutelar o problema de tal abandono não foi negligência e sim pobreza extrema. A
mãe de oito desses menores havia saído para, segundo ela, trabalhar pra poder
comprar alguma comida, e a nora dela, mãe do outro menor a acompanhou. Em
depoimento, a mãe da maioria das crianças disse que o filho de vinte anos
deveria ter ficado cuidando dos irmãos, o que não ocorreu. Mesmo porque outros
três menores foram encontrados numa oficina mecânica. Pois bem, ser pai ou mãe
é mais do que alimentar a prole, é preciso proteger e acima de tudo amar. Ser
pai ou mãe é sinônimo de responsabilidade, responsabilidade por outra vida. Não
existe segurança maior que o seio do lar, do que o abraço reconfortante dos
pais. Porém, para sermos merecedores de tal título é preciso competência para
desempenhar o papel e isso implica em deixar as regalias da vida. Em
compensação nos traz a felicidade estampada no sorriso de um filho. É só que
agora o problema não é negligência, tampouco abandono. É social. Não importa se
tratados como animais, não importa se clamando por socorro, não importa se
jogados as traças, tudo é culpa da pobreza. Ah! Não me venham como essa de que
precisavam trabalhar pra comprar alimentos, porque haviam três adultos envolvidos nesse fato.
Será que nenhum deles poderia ficar
realmente responsável pelos pequenos enquanto os outros “TRABALHAVAM”? E porque
ocultar o rosto pra imprensa se estão falando a verdade? Será que pra preservar
sua integridade? E a das crianças naquele momento, digo do abandono, não
importava? Ao que se sabe, enquanto elas choravam de medo, de fome e de sede,
havia gente no bar bebendo cerveja. É preciso também vergonha na cara, ter
menos filhos se não os pode criar. Tem que usar preservativo e anticoncepcional,
o SUS oferece de graça. E o pai dos pequenos onde andava, ou onde anda? Olha,
que me perdoem os psicólogos, assistentes sociais e conselheiros que
caracterizaram o fato como pobreza extrema. Eu conheço muita gente extremamente
pobre que nunca largaram os filhos e ainda assim os criaram com dignidade e amor.
É triste que as penas previstas no artigo 133 do Código Penal e que tratam do
abandono de incapaz não serão aplicadas. Isso abre precedentes para que outros
façam o mesmo, se julguem pobres e aconteça o pior. E não se iludam com essa
história. Casos como esse acontecem comumente em nosso país debaixo dos olhos
do Poder Público. E infelizmente será a pobreza quem pagará por mais um ato de
desumanidade
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