Hoje, na realidade insana
dos fatos que me rodeiam, tive uma epifania e me ocorreu que poderia eu falar
da “loucura”. Não a loucura que mata ou a que consome a alma, tampouco a que
corrompe a vida. Mas a loucura diária das mentes humanas que além do seu tempo
ou atrasado a ele ou ainda no mesmo ritmo que, nos pega desprevenidos absortos
em pensamentos que nem nós mesmos compreendemos. Mas o que seria da humanidade
se a loucura não passasse ao menos uma vez na nossa vida, ainda que como
figurante que num rompante joga a xícara na parede, os pratos ao chão, soqueia
o vidro e sangra o coração. É sabido que a loucura também protagonizou história
embutida na genialidade dos sábios escritores, exímios leitores, magníficos
criadores, colecionadores, desenhistas, pintores, espetaculares atores,
músicos, cantores, dançarinos, amadores. Formidáveis cientistas, notáveis
professores – os redentores. A loucura muitas vezes confundida como doença, só
faz mal a mentes pequenas que não captam a grandeza da alma louca que adentrada
no corpo de quem sem sombras de dúvidas nasceu pra brilhar. Não aqui faço
apologias aos criminosos e desumanos que usam dos artifícios psicológicos para
cometer atrocidades e julgar-se loucos. Cito sim, os maravilhosos que andam
descalços, que dançam na chuva, requebram até embaixo, que gritam bem alto que
dizem “adooooro”, “vai ali morrer que passa”, “só que não”, e assim vão-se os
bordões... A loucura não é mérito da atualidade e da sociedade voraz, não é
alternativa e não se pode medicar. A loucura não vem da mente, é algo do
espírito que habita o corpo do pobre e do rico, do branco e do negro, do
amarelo e vermelho também. A loucura é sempre incompreensível e por ser
incompreendida muitas vezes é julgada, condenada e pena. Mas a loucura sempre
valerá a pena quando a alma não for pequena, já dizia o poeta. Porque do jeito
que caminha a humanidade, melhor ser louco para compreender cada verdade do que
ser conivente com a dura realidade que sangra todo nobre louco coração. Pois,
se de louco todo mundo tem um pouco, é porque de perto ninguém é normal...
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