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sábado, 27 de julho de 2013

De perto ninguém é normal

Hoje, na realidade insana dos fatos que me rodeiam, tive uma epifania e me ocorreu que poderia eu falar da “loucura”. Não a loucura que mata ou a que consome a alma, tampouco a que corrompe a vida. Mas a loucura diária das mentes humanas que além do seu tempo ou atrasado a ele ou ainda no mesmo ritmo que, nos pega desprevenidos absortos em pensamentos que nem nós mesmos compreendemos. Mas o que seria da humanidade se a loucura não passasse ao menos uma vez na nossa vida, ainda que como figurante que num rompante joga a xícara na parede, os pratos ao chão, soqueia o vidro e sangra o coração. É sabido que a loucura também protagonizou história embutida na genialidade dos sábios escritores, exímios leitores, magníficos criadores, colecionadores, desenhistas, pintores, espetaculares atores, músicos, cantores, dançarinos, amadores. Formidáveis cientistas, notáveis professores – os redentores. A loucura muitas vezes confundida como doença, só faz mal a mentes pequenas que não captam a grandeza da alma louca que adentrada no corpo de quem sem sombras de dúvidas nasceu pra brilhar. Não aqui faço apologias aos criminosos e desumanos que usam dos artifícios psicológicos para cometer atrocidades e julgar-se loucos. Cito sim, os maravilhosos que andam descalços, que dançam na chuva, requebram até embaixo, que gritam bem alto que dizem “adooooro”, “vai ali morrer que passa”, “só que não”, e assim vão-se os bordões... A loucura não é mérito da atualidade e da sociedade voraz, não é alternativa e não se pode medicar. A loucura não vem da mente, é algo do espírito que habita o corpo do pobre e do rico, do branco e do negro, do amarelo e vermelho também. A loucura é sempre incompreensível e por ser incompreendida muitas vezes é julgada, condenada e pena. Mas a loucura sempre valerá a pena quando a alma não for pequena, já dizia o poeta. Porque do jeito que caminha a humanidade, melhor ser louco para compreender cada verdade do que ser conivente com a dura realidade que sangra todo nobre louco coração. Pois, se de louco todo mundo tem um pouco, é porque de perto ninguém é normal...

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