Correção de fluxo escolar, esse é
o rebuscado termo utilizado pelos departamentos educacionais para corrigir a
distorção idade-série no Ensino Fundamental de oito anos, ou seja, promover
alunos – mesmo que saibam praticamente nada – para séries que correspondam a
sua idade. É que o Brasil minha gente precisa alcançar suas metas ainda que
numéricas para comparar com outros países e cumprir acordos firmados e dessa
forma, formar “X” pessoas num dado
período de tempo. A qualidade do ensino pouco importa, e cai entre nós, essa
tal correção é uma verdadeira piada. A começar pela maneira como é passado o
conhecimento, se é que ele ainda é passado. Tem sistemas em que os alunos estão recebendo
apenas aulas de Língua Portuguesa, Matemática, Artes e Educação Física, as demais
disciplinas o mundo ensina eu creio. Outros estão até dando reforço, ta certo
que por professores despreparados, e aqui eu me refiro em especial no
despreparo para ensinar nas áreas de cálculo e letras. Tem alunos do Ensino
Médio que já estão até fazendo escárnio com o que está acontecendo no Ensino
Fundamental. Outro dia uma professora me disse que na escola onde ela leciona
alguns alunos do primeiro ano do Ensino Médio pediram ao diretor para serem
promovidos porque não sabiam nada mesmo e já que passaram os que não sabiam da
sexta série do fundamental para a oitava série poderiam passá-los também para o
comumente chamado ” terceirão”. Mas pra que qualidade quando a intenção é dar
certificados de conclusão de curso. Estão brincando de ensinar e essa
brincadeira envolve os nossos redentores, nossos mestres, professores que além
de serem desvalorizados são obrigados a participar dessa educação de
mentirinha. Mas os governantes e seus entendidos de educação “entendem” que o
ensino está progredindo e que a correção de fluxo escolar encerra o Ensino
Fundamental de oito anos e abre
definitivamente as portas para o ensino de nove anos, e aí pessoal tudo vai ser
diferente, lindo e perfeito. É mais um ano na escola, o que exige mais
professores (desvalorizados), mais recursos (desviados), e mais educação (de
mentirinha). E das milhares de crianças
promovidas pela tal correção e da frustração dos professores que figuram com
eles em sala de aula vem a seguinte reflexão: “Será mesmo que estamos
alcançando as metas do IDEB e formando cidadãos
competentes para exercer sua cidadania? Ou, estamos formando uma geração
que precisará sempre ser promovida pelas correções de fluxos da vida?” A não
ser que seja essa uma geração de políticos, será?
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